sábado, 12 de novembro de 2011

se lembra?

você se lembra de quando a gente era criança?
quando a gente brincávamos no pátio e corríamos
e por tantas vezes eu caia e ralava o joelho e chorava
você se lembra de quando a gente fugia pra se amar?
sentido um aperto no peito mas felizes por estar longe
e você me olhava e me conquistava sem saber o que era aquilo
você se lembra de quando não sabíamos de nada?
e a gente só corria e não se preocupava em saber dessas coisas
éramos só eu e você, sozinhos no mundo, e tudo era presente
estávamos ali no espaço, eternos, sem saber o que é eternidade
mas só sabíamos que era preciso viver e mais nada
tudo era mágico; o vento, as folhas secas, o céu, a areia e as árvores
tudo tinha um toque de Deus e nem sabíamos o que era Deus
o que era verdade então? não tínhamos ideia, mas com certeza era a vida
você se lembra que não sabíamos o que era morte?
e assim não tememos ela por todo aquele momento
momento esse que nunca ia passar e estávamos alegres
hoje a gente vê que tudo se foi
a eternidade da inocência, do amor, dos cabelos ao vento
hoje a gente vê tudo preenchido do vazio do cotidiano
o amor preso em uma caixa arredondada e amarrada
hoje a gente transforma todas as nossas fantasias em ilusão
tudo é vertigem do ocaso devorador de sonhos
hoje a gente come as pressas se preocupando em não se lambuzar
com medo de o tempo passar de mais pra variar
hoje a gente vê que tudo corre sem nos esperar e esquecemos
esquecemos um do outro, de nos amar, de que tudo é eterno
hoje  gente vê que tudo é mortal, a morte e o passageiro no ônibus

não somos mais quem a gente diz que é

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