quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Oração ao desespero




Dia desses acordei desconfortável. Um desespero que não sei explicar contando. As lágrimas pareciam que queriam sair vivas dos meus olhos. Uma vontade de não existir que eu nem sei contar. Não sei o que era. Talvez as circunstâncias, ou eu fingindo ser auto-suficiente, duro, e perfeitamente normal á pessoas que, nem sei por que, tendo agradá-las. Sentia nojo de tudo; de mim, do meu quarto, das coisas que tocava, do que olhava, a música no visinho. Odiava até a vontade de me odiar. As coisas que amava não importavam naquele momento. Só tinha vontade de me desprezar e não importava o que me vinha consolar. Odiava até o auto-consolo.
E as lágrimas não cessaram, muito menos evitaram de descer. E pareciam rios. Inundaram a casa mas eu não me afogava. Ah que vontade louca de me afogar. Mas odiava até a vontade de morrer.
Levantei. Sozinho e nada pra fazer. Daí a mente se enchendo de dúvidas. E as dúvidas apertando o coração e não pensava mais em mim, mas quantas dúvidas haveria de existir a te que eu morresse de desprezo.
O que seria então esse desconforto, esse desespero, essa malícia de querer não existir e desejando que nem mesmo existisse para que não pensasse? Qual o motivo de ver o que passa na TV se tudo era apenas vaidade? Pessoas sendo visivelmente maltratadas. Mas elas foram ensinadas a serem cegas, e mesmo se houvesse milagre de ver, não acreditariam no que veriam. Via pessoas iludindo e se iludindo, humanos fingirem acreditarem em Deus, desprezando seus privilégios divinos por mixarias de riquezas – ganância, egoísmo e falsidade. Ladrões do século XXI, armados com seus argumentos até os dentes, rodeados de protetores de colarinho dizendo serem cumpridores da lei. Amantes do dinheiro pisando na cabeça dos que sobrevivem com dinheiro. Uma confusão; não sei quem é ladrão; se é o político ou o pobre lascado que rouba por terem roubado seus direitos. É uma confusão. E o barraco tá armado. Sinto a nossa degradação. Sinto que não somos mais humanos. Não temos mais bons sentimentos, só ganância, vícios e desamor.
Mas pra onde todos esses maus sentimentos nos levam, meu Deus?
Afinal, onde está Deus? Talvez Ele não exista. Talvez seja só mais uma tentativa humana de explicar que o homem é perfeito. Deus nos abandonou, nos largou, cansou de ver a gente se degladiando por nada, por aquilo que acreditamos ser o eterno mas no fundo sabemos que é o que nos mata.
Ou Deus existe sim... talvez essa seja uma era de Ele escolher somente os verdadeiros humanos, ainda consciente, ainda saldáveis e sãos. Mas olho para os lados e vejo somente pessoas doentes, infectadas pelo capitalismo consumismo, canibais capazes de venderem a própria mãe, de matarem o próprio pai. Vejo a desgraça ao meu redor, vejo homens revoltados por serem humanos (eu sou um deles) e destroçam tudo, arrasando sua própria vida, ignorando-a e tudo que há ao redor.


Isso, não sei por que, me corroe  por dentro, alimenta o desprezo que sinto de mim mesmo por ser um simples sujeito que não pode fazer nada e já desistiu de lutar. Mas não adianta lutar, somos todos zumbies, com sede e fome de carne humana, carne de criança, de gente inocente. Eu já desisti, assim como qualquer um que exista já aceitou a morte como preço dos erros que seus líderes cometeram. Quero, agora só desprezar a vida, essa que nem sentido mais faz. Agora sou oco por dentro, consumido pelo consumismo, prezo marionetizado pelas cordas de chefões que nem conheço. E nem me importa mesmo, não vai trazer nada ao realismo.
Acho que não venço. Só venço se todo mundo lutar. Mas ninguém acorda, ninguém tenta fazer nada e por isso vou voltar a fingir que estou dormindo o meu sono eterno e esperar a morte vir me salvar.
Hoje eu acordei, acordei para o desespero, acordei para ver o que sou e o que sou me faz ter medo. Hoje eu acordei, queira Deus que não me faça voltar a dormir e sonhar sonhos impossíveis de amor, de esperança, de vida verdadeira.
Resta-me confiar em Deus... esperar nEle e no amor que tanto me promete.
Hoje eu chorei mais uma vez. E as lágrimas eram rios. Rios limpando o sangue de inocentes que eu derramei, que todos os dias e derramo e todos os dias eu acordo sujo. Só Deus pode me salvar. É só isso que me resta.